Morreu o ator Luís Alberto, uma das figuras mais queridas e respeitadas do teatro, televisão e cinema português, aos 91 anos.

Thumbnail

Morreu o ator Luís Alberto, uma das figuras mais queridas e respeitadas do teatro, televisão e cinema português, aos 91 anos.

A triste notícia foi confirmada pela Casa do Artista na manhã de 26 de setembro de 2025, após o falecimento na noite anterior, devido a causas naturais. “Partiu esta noite o ator Luís Alberto que a todos marcou pelas inúmeras interpretações no teatro, na televisão e no cinema nacional”, escreveu a instituição nas redes sociais, recordando-o carinhosamente como “o menino Luís”.

Nascido em Lisboa a 22 de março de 1934, Luís Alberto iniciou a sua carreira quase por acaso, a convite do ator Varela Silva, no final dos anos 1950, ainda como amador na Sociedade Guilherme Cossoul. Rapidamente subiu aos palcos profissionais pela mão da lendária encenadora Amélia Rey Colaço, estreando-se em 1962 com a peça O Morgado de Fafe. Já experiente, ingressou no Conservatório Nacional para aperfeiçoar a arte que escolhera para a vida.

No teatro, deixou uma marca indelével com participações em obras como Desperta e Canta de Clifford Odets, Todos Eram Meus Filhos de Arthur Miller, O Tempo e a Ira de John Osborne, O Render dos Heróis de José Cardoso Pires e muitas outras. Em 2003, recebeu o Globo de Ouro da SIC na categoria de Melhor Ator de Teatro pela interpretação na peça Copenhaga, no Teatro Aberto. Foi também um dos fundadores do Teatro da Proposta em 1975.

No cinema, integrou filmes marcantes como Dom Roberto (1962), As Ruínas no Interior (1976), A Santa Aliança (1978), A Fuga (1978, onde protagonizou), Verde por Fora, Vermelho por Dentro (1980), Longe da Vista (1998) e A Bomba (2002).

Na televisão, a sua presença foi constante ao longo de décadas, começando em 1965 com Os Apaixonados. Participou em séries icónicas como Duarte & Companhia, Ballet Rose, trabalhos com Camilo de Oliveira, Zé Gato (1979), Retalhos da Vida de um Médico (1980) e Conta-me Como Foi (2007). Nas telenovelas, destacou-se em produções da TVI como Jardins Proibidos (2000 e 2014), Tudo por Amor (2002), Inspector Max (2004), Ninguém Como Tu (2005), Filha do Mar, A Minha Sogra É uma Bruxa e, mais recentemente, na SIC com Sangue Oculto (2022-2023), o seu último trabalho, já aos 88 anos, apesar dos problemas de saúde que o afetavam.

A Casa do Artista sublinhou a sua dedicação e paixão: “Foi sempre um exemplo de dedicação e paixão pela profissão que escolheu para a vida. Gratos pelo legado que nos deixa. Até sempre, Menino Luís.”

Vários artistas reagiram à notícia com emoção nas redes sociais. A atriz Sofia Alves, que trabalhou com ele em Sangue Oculto (onde interpretou a sua filha na ficção), escreveu: “Cruzámo-nos pela primeira vez em trabalho já lá vão mais de 30 anos… Foi sempre um grande profissional, um grande amigo e que vai deixar a todos nós muitas saudades. Obrigada por tudo, meu querido Luís, até sempre.”

O legado de Luís Alberto atravessa gerações, marcado pela versatilidade, carisma e humildade. Portugal perde um dos seus grandes intérpretes, mas as suas personagens permanecem vivas na memória coletiva do público.

Descanse em paz, Luís Alberto.