Assinalaram-se a 7 de janeiro de 2026 quinze anos sobre um dos crimes mais mediáticos e perturbadores envolvendo portugueses no estrangeiro…

Foi nessa data, em 2011, que o cronista social Carlos Castro, então com 65 anos, foi brutalmente assassinado num quarto do Hotel Intercontinental, em Nova Iorque. O autor do homicídio foi Renato Seabra, um jovem modelo natural de Cantanhede, com quem a vítima mantinha uma relação.
O crime ocorreu no quarto 3416 do hotel e ficou marcado pela extrema violência: Carlos Castro foi morto e mutilado com um saca-rolhas, num episódio que chocou Portugal e teve enorme repercussão internacional.
Uma relação iniciada meses antes
A ligação entre Carlos Castro e Renato Seabra começou cerca de um ano antes do crime. Segundo foi noticiado na altura, o cronista contactou o jovem através do Facebook, em 2010, oferecendo-lhe ajuda na carreira de modelo. Renato aceitou o apoio e o relacionamento entre ambos iniciou-se logo após o primeiro encontro.
O desfecho trágico viria a mudar para sempre a vida de ambas as famílias.
Prisão, sofrimento e fé

Condenado a 25 anos de prisão perpétua, Renato Seabra cumpre atualmente pena numa das cadeias de alta segurança mais rigorosas de Nova Iorque, a Clinton Correctional Facility, onde divide espaço com alguns dos criminosos mais perigosos dos Estados Unidos.
Ao longo dos anos, vieram a público detalhes sobre as duras condições da sua reclusão: apenas uma hora de recreio por dia, três surtos psicóticos, uma tentativa de suicídio e longos períodos de isolamento na cela. Ainda assim, segundo a imprensa, Renato mantém uma conduta considerada exemplar na prisão, participando na confeção de roupas e ajudando nas missas aos domingos, agarrando-se à fé como forma de sobrevivência emocional.
Em 2013, escreveu uma carta comovente onde deixava transparecer o desespero e a esperança:
“Há dias que me sinto tão deprimido que não me apetece fazer nada. Nesta idade em que as pessoas fazem planos para a vida, eu somente posso rezar e pedir a Deus para fazer um milagre e reduzir a minha sentença.”
O apoio incondicional da família

A família nunca abandonou Renato. A mãe, Odília, chegou a viver temporariamente em Nova Iorque para estar mais próxima do filho, mas acabou por regressar a Portugal devido ao elevado custo de vida, mantendo visitas regulares de três em três meses.
Um dos pilares deste apoio é Joana Seabra, irmã de Renato e atualmente deputada da Assembleia da República pela Aliança Democrática (AD). Licenciada em Medicina, Joana mantém uma ligação próxima com o irmão, visita-o sempre que possível e tem sido fundamental no apoio à mãe ao longo destes anos difíceis.
Paralelamente, desenvolve uma carreira política ativa, integrando as comissões de Saúde e de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, além de presidir à Comissão Política da Secção de Cantanhede do PSD desde dezembro de 2024.

Um futuro ainda incerto
Renato Seabra terá a primeira possibilidade de liberdade condicional em 2036, quando tiver 46 anos, embora a decisão dependa sempre dos tribunais norte-americanos. Caso o pedido seja recusado, continuará sujeito a reavaliações de dois em dois anos — podendo, no limite, permanecer preso até ao fim da vida.
Quinze anos depois, o caso Carlos Castro continua a ser lembrado como uma das páginas mais negras da crónica criminal portuguesa, marcado pela violência, pela complexidade psicológica do agressor e por uma família que, apesar de tudo, mantém viva a esperança de redenção.